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29 dezembro, 2010

Quando a coisa muda de figura...

Férias à vista!!! Cheguei no final do segundo tempo e já estou com a língua de fora.... Não sei se pela idade , se desacostumei com o ritmo tão acelerado, se eu é que sou uma molenga ou se a escola que agora estou trabalhando, possui uma demanda bem maior do que as que já atuei..... Não sei. A verdade é que agora quero mais é aproveitar meus trinta dias em casa.

Marido ficou conosco vinte e quatro dias. Parece que o tempo voou. Em ritmo de término letivo com muitos documentos para finalizar, estive trabalhando até o dia 23 de dezembro e quase não conseguimos nos ver. O pouco que conversamos, relembramos momentos únicos, vividos em família na gelada Suécia. Assim como eu, está um pouco assustado com as notícias , com o "barulho" e movimento desenfreado dos diferentes locais, com o caos urbano, com o que presenciamos nas ruas em busca das pessoas pelo TER, TER e TER.... Ainda mais nesta época do ano.

Aprendemos com o tempo e sentimos que amadurecemos com a dureza de um País, em que a educação das pessoas é seu maior BEM. Em que o SER ultrapassa e derruba qualquer sentimento mesquinho.

Estamos em casa agora, até então ficamos com minha mãe. Tudo começa a tomar forma. As meninas estão felizes por estarem no seu quartinho de volta e brincarem como faziam. Passamos o Natal com parte da família já que a outra viaja aos EUA para acudir meu irmão que acaba de ganhar mais um filho.

Amanhã, marido volta para o inverno da Suécia depois de aproveitar parte do nosso abafado verão. Passaremos de Ano apenas nós três: Eu , Laurinha e Bia. Da sacada do apartamento, aguardaremos a oportunidade de SERMOS melhores em 2011.....

Desejo a todos um 2011 cheio de paz, prosperidade, alegrias e realizações...
...e, não esqueça, o mundo ao seu redor apenas reflete o que você é!
Forte abraço,
Françoise

17 setembro, 2010

Perdão.


Olá,

Esta é a última semana da blogagem coletiva sobre Sentimentos proposta pela Glorinha. O tema de hoje? Perdão.

Nada fácil descrevê-lo, já que para consumá-lo nos lembramos de situações tristes já vividas por ter a "língua comprida demais" e por ser tão impulsiva como eu. Ou o contrário.

Perdoar para mim é uma "ato de amor". As vezes , magoados , dizemos da boca pra fora:

- Ok, ok, está perdoado(a)!!!!

ou

- Você me perdoa????

O pior, é que por muitas vezes ficamos remoendo o "tal" ocorrido por dias, transformando o perdão, então dito anteriormente, em inimizades, desencontros, separações, desavenças familiares e assim vai. O buraco é mais fundo e perdoar vai além de um aperto de mão ou de um sorriso amarelo estampado no rosto. Exige amor, entrega, esquecimento e humildade. Pedir perdão também.

Não sou a pessoa mais indicada para descrever sobre o assunto, depois de muito errar, tento colocar em prática tantos sentimentos e penso que ainda tenho muito o que aprender. Acredito não ser necessário exemplificar nenhum fato em particular, pois se já me conhecem um pouco , entendem que não consigo me expor com tranquilidade neste sentido. Além do mais, quem nunca perdoou ou pediu perdão, que atire a primeira pedra. Somos humanos. Erramos e aprendemos.



O mais importante é que hoje, posso dizer que não há comigo nenhuma situação pendente para o "perdão". Me sinto livre e em paz, sem amarras ou mágoas.





"Aquele que não pode perdoar destrói a ponte sobre a qual ele mesmo deve passar". George Herbert


À querida amiga Glorinha, agradeço por me proporcionar uma "autoterapia" em 8 semanas.
Abraços.



16 setembro, 2010

Ame com amor...


Houve um tempo
em que eu amava coisas.


As roupas bonitas,
de marcas,
os sapatos da moda,
os carros grandes e prateados,
as bolsas de couro.

Tempos em que me achei
"gente grande" e
tão pequena eu era.

Este tempo passou,
e como bem escreveu a Tati,
os "sapatos" já não me cabiam nos pés.

Fui ser mãe,
esposa,
mulher,
filha,
aluna,
professora,
amiga....

Compreendi
que o material degenera,
enferruja,
o dinheiro maltrata
e mata.

As roupas saem da moda,
nas bolsas não cabem o que tenho de melhor,
os "sapatos" apertam,
o mundo acaba,
o AMOR fica.

Estou muito longe
da perfeição,
mas do meu jeito,
amo e sou amada.

Não compro,
não gasto,
não troco,
mas posso sentí-lo.

Lindas rosas que ganhei da Beth.

Amo com “amor” .


Este texto sobre o AMOR, participa hoje da "Blogagem coletiva"
em homenagem aos 2 anos do blog "Meu Cantinho".

13 setembro, 2010

Outonos e primaveras...

Märtens Falad, Lund

Dia desses , no caminho para o ponto de ônibus, a Bia me perguntou o porquê das árvores mudarem de cor. Isto pois as ciclovias estão cobertas de folhas amarelas , vermelhas e castanhas. O que aprendi na escola sobre o outono quando pequena, nada tem a ver com este processo lindo que hoje posso apreciar por aqui. É incrivel como a mudança é visível, e não apenas do lado de fora.


Märtens Falad, Lund


Neste mesmo movimento, busco meu silêncio deixando que a própria estação encarregue-se de me fazer acolher o que aqui dentro "morre" em pequenas partes, com o ofício de florescer posteriormente em cores, anunciando que depois de "outonos" a vida sempre nos reserva "primaveras".


Märtens Falad, Lund

Assim espero. Até então ,vou cumprindo o meu, e o destino das estações do "tempo" e da "vida.

Abraços,
Françoise


02 setembro, 2010

Sobre a felicidade de "vir e ir".


Olá amigos,

Em meu último post deixei aqui registrado o meu contentamento por estar na Suécia e também pelo meu retorno ao Brasil. Isto pois em 28 de setembro, estarei voltando com minhas pequenas enquanto marido terminará até dezembro o projeto proposto. Alteramos os planos antecipando significativamente nossa volta, já que os “ventos” seguiram por outra direção.

Quem me conhece sabe o quanto relutei para deixar o País, os que amo, o aconhego do meu lar, a estabilidade no emprego, para enfrentar o desconhecido. E não me arrependo em nada. Faria sim, tudo outra vez.

Olhando em retrospecto, consigo enxergar muitos aprendizados mesmo diante dos obstáculos vividos e também muitas situações externas e internas que me deixaram pra lá de FELIZ.



Então vamos lá,

O que eu aprendi?

O que realmente me fez feliz na Suécia?

  • Estar em família,
  • A companhia diária do marido no almoço e todas as noites conosco já que nunca tivemos isso desde que nos casamos (é pesquisador e professor universitário no Brasil trabalhando 3 períodos),
  • Dividir em família as preocupações, as alegrias, as expectativas e vitórias,
  • Cozinhar com tempo e disposição diariamente para marido e filhas ,
  • A proximidade e cumplicidade entre as minhas filhas,
  • Estamos mais unidos e fortalecidos enquanto casal e família,
  • Compreendo hoje que preciso investir no aprendizado de uma segunda língua antes que marido invente uma próxima mudança,
  • Que posso consumir menos e planejar mais,
  • Caminhar de bicicleta com o vento no rosto, sentindo-me literalmente livre e feliz,
  • Andar a pé pelas ciclovias de Lund comendo maçãs, ameixas e amoras fresquinhas colhidas pelo caminho,
  • Todos os lugares e pessoas que conheci,
  • Que posso sim, superar um grande medo como o de andar de navio,
  • Ver a Bia e a Laurinha cantarolando e caminhando de bike pelas ciclovias de Lund,
  • Fazer piquiniques na praia e na grama,
  • Ouvir o "silêncio" das ruas , dos lugares e dentro de mim,
  • Brincar de casinha, cabelereira e de mamãe e filhinha,
  • Não ter hora e data para cobranças e entregas burocráticas desvairadas,
  • Que posso e consigo muito mais do que penso em realizar,
  • Ter uma família e amigos que nos ama e nos completa, faz toda a diferença quando nos sentimos vulneráveis e frágeis,
  • Contemplar e respirar a natureza em cada uma de suas fases faz bem à saúde,
  • Sentir-me segura porém livre.

Esta lista , totalmente inacabada hoje, revela um pouco do que vivi neste pequeno espaço de tempo desta gelada Suécia. Me sinto feliz. Alguns planos foram interrompidos, mas outros já estão a caminho . É assim a vida. Entre as escolhas que fazemos, ganhamos e perdemos.



*Este post sobre a "Felicidade", participa da Blogagem coletiva proposta pela Glorinha do Café com Bolo.


Abraços,


30 agosto, 2010

Quase outono e o verão volta a acontecer aqui dentro...

Jardim Botânico, Lund

Enquanto isso

Na pequena Lund

O sol aparece acanhado,

Frio, gelado,

Ríspido


Jardim Botânico, Lund

Ainda assim

Meu coração

Guarda aqui dentro

Recordações bem quentes,

Aguarda o outono

Em clima pra lá de tropical


Jardim Botânico, Lund

Uma mistura de sentimentos

Invade a alma

Jardim Botânico, Lund

Pra mim,

O céu azul,

Claro e quente

Aparece agora

Mais aberto do que nunca


Martens Fälad, Lund


É tempo de plantar

A vida é feita de fases

Está na hora de grandes mudanças!


19 agosto, 2010

Autoestima.


Gente boa,

Tô de volta e pra ficar, rs.... Chega de viajar! Vida normal. Agora é pensar na casa, no almoço do marido, na lancheira das meninas, nas roupas do colégio, no supermercado da semana, na leitura dos livros, na vida que está por vir. Tempo de ocupar a mente e me preparar para a velha-nova vida que quase se aproxima. Tempo de pensar em mim, de cuidar do meu interior. Como fazer tudo isso se não estiver bem?

Não posso transferir para os outros o poder de ser feliz e esta é uma luta diária vivida por mim. Penso até que desde o dia em que sai da barriga da minha mãe busco por ela. Lembro-me que quando adolescente esta luta também me perseguia , primeiro porque sempre fui gordinha e sabem que enquanto mulheres isto nos incomoda. Hoje continuo brigando com a balança mas isto não é tudo, minha felicidade vai além. Busco minha saúde e minha paz interior. Faço planos 'na minha companhia' , mesmo que "cheinha" (não desistindo das minhas dietas é claro, rs..) mas com o meu jeito mais "leve" no sentido humano de ser.

Pássaros na Catedral de Notre Dame em Paris, por M.Moraes

"Momentos mágicos em que nos sentimos realmente amados
pela simples condição de possuir a vida..."

Pôr do sol, Helsinki, Finlândia, por M. Moraes


Não é um movimento nada fácil, tenho muito o que aprender com aqueles que já viveram muito mais do que eu, também tenho minhas crenças e a garantia de ter uma família que me ama. Isso faz muita diferença na minha história de perseverança. Minha autoestima está na minha essência, naquilo que sou e que busco ser. Na minha capacidade de amar e no contato com a minha verdade é que estarei mais próxima do que tanto almejo, longe de armadilhas e de tudo que me afaste dela. E assim vou eu.....buscando me autoconhecer para me amar.....


"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada...

Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas.

A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."

Clarice Lispector


*Este texto participa da Blogagem Coletiva sobre "Sentimentos e Emoções" organizado pela Glorinha de Lion do blog: Café com Bolo.

25 julho, 2010

Cata - "ventos" nórdicos, por Márcio Moraes


Desde que cheguei no país tenho discutido com marido sobre as torres de energia eólica encontradas por todos os cantos da Suécia, Dinamarca e outros países que já visitamos. Fico curiosa pois além de ser bonito de ver, sei que traz benefícios ao planeta. Foi exatamente este o assunto da nossa conversa na última viagem de trem que fizemos para Helsingborg no final de semana. Enquanto ia me explicando ( com postura de professor que é, rs...) , eu com um papel nas mãos anotava todas as informações. Portanto o post de hoje foi escrito por ele e resignificado por mim.

e assim começou a conversa...


No atual cenário mundial um dos assuntos mais discutidos pela mídia são as mudanças climáticas. Parece que já se chegou num consenso que um dos maiores causadores de tais mudanças são as atividades humanas. Estas aumentaram desde a Revolução Industrial onde a demanda pela energia começou a crescer. Para suprir tal demanda, o homem utilizou os recursos dos quais possuia conhecimento como o carvão, o petróleo entre outras fontes de energia "não renováveis", porém estes recursos são grandes causadores de poluição na nossa atmosfera afetando o efeito estufa (responsável por manter a temperatura ideal para existência da vida na Terra).



Torres eólicas, Copenhagen - Dinamarca
by Márcio Moraes



Com as mudanças climáticas o homem se viu na obrigação de buscar outras fontes de energia que sejam "renováveis", ou seja, que não poluam nossa atmosfera ou poluam pouco e um dos maiores potenciais desta energia disponível é a utilização do vento, chamado de energia éolica. Esta vem sendo utilizada em muitos paises da Europa e EUA, com destaque da Alemanha e Dinamarca que possuem grandes parques eólicos instalados gerando energia limpa.

Aqui na Suécia, se percebe que os grandes usuários de energia eólica são os fazendeiros. Uma grande vantagem para eles é que, além de gerarem a energia que precisam, recebem dividendos colocando o excedente na rede a tendo como fonte de renda. Os ganhos são muitos e esta é uma inteligente forma da população se proteger contra os malefícios da queima de combustíveis, contribuindo para o saudável desenvolvimento da vida em nosso planeta terra.


Ao fundo, Torre eólica utilizada por fazendas.
Lund, abril de 2010.

Como de costume, o Brasil ainda está engatinhando nesse processo, pois apesar de possuir um grande potencial de energia eólica, pouco faz uso desse. Uma das grandes barreiras é que, como no exemplo dos fazendeiros suecos, não é possível ainda se colocar a energia excedente na rede elétrica brasileira. Além é claro da falta de investimentos, e incentivos do governo. Terminamos a prosa concluindo que o uso desta energia no Brasil é mais uma decisão política do que técnica. AFFF!!!!

Até a próxima viagem de trem quando outros assuntos surgirão, rs...

20 julho, 2010

Pensamentos pedagógicos...

Há anos tenho me deparado com alunos que apresentam dificuldades advindas da escrita, da leitura e sua compreensão. Muitos deles passam por uma sala de aula e acabam tornando-se “analfabetos funcionais” uma vez que apenas decifram os códigos da linguagem escrita. Embora a decifração seja parte fundamental, não pode acontecer isolada sem que o leitor atribua significado ao que lê. Muitos alunos nos quais trabalhei não possuiam a capacidade leitora o que é necessário a qualquer cidadão. Finalizam o ensino fundamental sem conhecer e conseguir produzir uma narrativa sendo este um texto base para muitos outros importantes como o dissertativo, o argumentativo e assim vai. Acumulam dificuldades e poucos conseguem chegar a uma universidade.

Alguns dos muitos jornais gratuitos no trem que

por enquanto apenas uso para "ler as imagens".


Muitos não tem acesso a um bom jornal escrito, a uma obra literária, e estão cada vez mais substituindo o uso de bibliotecas pela pesquisa inadequada na internet já que para realizá-la não basta apenas digitar o assunto no google ou em outro qualquer. É necessário ter desenvolvido competências para encontrar corretamente o que deseja além de saber ler é claro.

A Tv aberta "ensina" (lê-se emburrece), que precisamos buscar cada vez menos os estudos. Alguns dos meus alunos chegaram a dizer diversas vezes que queriam ser ladrão como o personagem tal que já foi preso e tem tudo o que quer. Ou que o salário de um traficante é bem maior do que o do fulano que trabalha o dia todo em uma doceria.

Comecei a refletir sobre isso pois em diferentes locais públicos o que não falta por aqui são jornais distribuídos a vontade dentro de uma estrutura bem planejada para atingir aqueles que utilizam frequentemente os meios de transporte urbano. Estes jornais são um resumo do noticiário do dia anterior e possuem uma linguagem simples com formatos acessíveis e práticos. Pesquisas apontam que os mesmos contribuem para o aumento dos hábitos de leitura admitindo ainda que instigam o desejo pela leitura sobretudo em jovens e adultos de classe mais baixa. Este hábito de leitura pode ainda alargar o desejo das pessoas em buscar mais e melhores fontes de leitura. Outra vantagem que os gratuitos oferecem é que eles vão ao encontro do leitor. Além dos jornais ainda vejo pessoas sempre lendo um livro. Dias desses uma menininha de colo com meses de idade imitava os pais com o jornal de cabeça pra baixo tentando "ler" no ônibus . Exemplos geram atitudes.


...nos ônibus há sempre um para ler.
Linha 6, Lund, junho de 2010.

Pensando em voz alta, somos nós educadores todos co-responsáveis pelos alunos que não leêm com proficiência. A leitura não poderá ser usada em nossas aulas como pretexto (e estou me incluindo) , precisa fazer sentido para que construam conhecimento, sejam capazes de resolver seus próprios problemas e exerçam seu papel de cidadão com sabedoria e destreza. Ao menos isso já que infelizmente há falta de oportunidades e de investimento em nosso país... Educação ainda não é prioridade.....Uma pena!