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05 setembro, 2010

Lá vai o trem...

Laurinha e seu olhinho curioso no trem ,
observando o lago congelado do lado de fora.
Uma das coisas que eu gostei muito de fazer, enquanto estive aqui e esqueci de registrar na minha lista do último post, foi viajar de trem. E isso eu sempre gostei , mesmo que naqueles metrôs de São Paulo em que mais parecemos uma sardinha enlatada. "Tem gosto pra tudo neste mundo ué, rs..."

Foi viajando sobre os trilhos que cheguei em Lund pela estação de Copenhagen, que conheci muitas cidades do sul da Suécia, da Dinamarca e Finlândia. Foi de trem que sonhei chegar a Itália e de lá partimos para Paris enfrentando uma longa madrugada de sono em uma de suas cabines.


Eurorail , Roma - Veneza


É magica a alegria de entrar no trem e sentir seu cheiro, ao mesmo tempo que ver paisagens cinematográficas passando como um filme pela janela. Além do mais, são confortáveis, rápidos e possuem uma organização de horários variados e eficientes. Precisamos ser extremamente pontuais pois se o horário está marcado às 7h36min, certamente minutos antes ele irá parar na estação e partir no horário indicado.

Estação Louvre-Rivoli, Paris:
...esculturas e obras de arte embaixo da terra.


Muitos deles possuem compartimentos separados e isolados para fumantes e não fumantes, carros-leito, vagões bar e restaurante. Se a viagem for durante o dia, podemos descansar, ouvir músicas, assistir um filme no laptop (todos possuem tomadas)ou fazer um lanche em sua poltrona (cena bastante comum). Mas se a viagem for noturna, é possível dormir em um trem , chegando a seu destino sem nos preocupar com o mau tempo e com o caminho certo a seguir, economizando ainda uma diária de hotel e aproveitando para descansar e ganhar tempo que seria perdido na viagem.


O que achei diferente e talvez estranho (só nós brasileiros podemos traduzir bem esta sensação), é que compramos os bilhetes , entramos e nos acomodamos nos trens e somente em seguida algum funcionário passará solicitando. É possível, como muitas vezes ocorreu conosco, que ninguém virá durante a viagem , verificar se o passageiro está ou não com os bilhetes. É como uma confiança estabelecida com seus usuários entendem?


Estar frequentemente em um trem é algo que sentirei muitas saudades. É triste escrever ,que mesmo o Brasil sendo tão extenso, não há nenhuma preocupação com a construção ou manutenção de malhas ferroviárias decentes que nos tragam melhores condições de transporte. Das estações de trem que já conheci no Brasil, só me ficam as lembranças feias de depósitos de lixos e do vandalismo que ali se instalam.


Contrastes que andamos:
Um bondinho e um TAV







Laurinha desenhando na poltrona de um dos tantos trens que viajamos...

SJ Intercity - Lund- Estocolmo






...lá vai o trem....

No dia 28 ele irá partir.

09 abril, 2010

Um mês!


Apenas trinta dias se passaram e parece que já vivemos tantas coisas! Aprendemos, erramos e continuamos aprendendo. Mais observando que opinando, pois ainda há muito que entender.
Ontem descobri que as aulas de sueco –básico- que vou fazer só iniciam em agosto e até lá só me resta ouvir e ouvir.... e ir aprendendo com o Google tradutor. Também quero voltar para o inglês, é um idioma alternativo pra mim e aqui todos falam. Digo todos, pois é verdade. Os suecos passam anos em aulas de inglês na escola e conversam conosco sem titubear. Dizem que gostam de treinar o que aprenderam. No Brasil também temos aulas de inglês quando estamos no ensino fundamental. A diferença é que não aprendemos a língua para conversar e fazer uso, só coisas básicas são ensinadas e muitas vezes isolada dos textos e de diálogos o que faz com que a língua fique fora de contexto dificultando o posterior uso. Alguns professores ainda tentam dificultar supervalorizando a escrita de palavras, de verbos e aí antes mesmo de aprender ficamos com “birra” e não resignificamos nada. Eu mesma, nem sei por que, mas nunca gostei das aulas de inglês.


Pra piorar minha mãe me colocou num curso no período da tarde depois que chegava do colégio. As professoras falavam tudo em inglês e eu não conseguia entender, apagavam as luzes da sala para projetar os slides das lições e eu sentia um sono danado que cochilava nas aulas. Agora só me resta aprender aos trancos e não irei desistir.

Passados trintas dias, vou tentar me lembrar de algumas coisas que aprendemos aqui ou que observamos em nosso dia a dia com os suecos:

  • - Em casa não usamos calçados. Todas elas têm um local na entrada onde podemos deixá-los. Dentro de casa só andamos de meias. Até com as visitas é assim.
  • - Para os casacos todos os lugares em que vamos possuem um local para pendurá-los. Geralmente são nos mesmos lugares onde deixamos os sapatos.
  • -Quando vamos fazer compras precisamos levar nossas próprias sacolas caso não queremos pagar por elas. Os supermercados cobram a parte, uma medida vista como ecológica.
  • - Aqui todas as torneiras têm água quente e fria.
  • - Todo o lixo deve ser separado. As garrafas ‘pet’ de refrigerante e latinhas podem ser devolvidas nos supermercados em uma máquina que vai reciclar o material e nós recebemos um ticket no valor correspondente a quantidade devolvida.
  • - No ônibus até os cachorros têm seu espaço garantido. Podemos entrar com carrinhos de bebês tranquilamente. Os motoristas abrem as portas centrais, com apenas um botãozinho abaixam o ônibus na altura da calçada e prendemos os carrinhos em um lugar reservado. Em seguida é só passar o cartão para pagar. Isso também ocorre quando as pessoas idosas entram nos ônibus. Com a maior paciência do mundo e educação, os motoristas fazem toda essa ‘ladainha’ e não andam com os ônibus enquanto eles não estiverem sentados.
  • - Nos diferentes pontos de ônibus encontramos bicicletas e carrinhos parados. O mais interessante é que sem estarem presos ou trancados a nada. Utilizam como transporte até os pontos e quando retornam pegam nas mesmas condições em que deixaram.

Agora alguns dos nossos furos:

  • *Compramos um "Dove" como shampoo que na verdade era sabonete líquido e só descobrimos depois do nosso cabelo estar ficando duro,
  • *No supermercado fiquei feliz com o preço de uma caixa de peito de frango mas quando fui fazê-lo no almoço era apenas um prato pronto com arroz, legumes pré cozidos e dois pedacinhos de filé para aquecer no microondas.
  • *O Márcio comprou 4 rolos de papel toalha de cozinha como sendo papel higiênico. A Laurinha disse que são grandes demais para ela....
  • * Toda empolgada fui sozinha comprar minhas galochas que vimos em promoção num jornalzinho da cidade. O pior é que fiquei dando voltas na rua e não encontrava a loja que estava bem na minha frente. Depois que provei diferentes cores e modelos escolhi uma linda, toda cinza. No dia seguinte quando fui colocar para sair percebi que trouxe um pé de cada número.
  • * Andando pela cidade com a Laurinha resolvi entrar para conhecer a Catedral de Lund. Muito metida fui só entrando e quando vi tudo escuro apenas com umas velas acesas fiquei assustada e fui rapidamente saindo. Um casal que estava na porta me empurrou de volta pra dentro falando em sueco e eu desesperada agarrada com a Laura no meu colo fiquei sem saída. Disfarcei e voei com ela pra fora.
  • *Liguei as máquinas de lavar e secar as roupas por diversas vezes e não percebia que estavam a uma temperatura superior a 60 graus. O resultado foi que manchei algumas das peças brancas e perdi uma blusa de lã que esticou , outras sairam duras da secadora.

kkkkkkkkkkk.......



Alguns prejuízos e aprendizados também. Tem mais histórias mais nada que um bom churrasquinho de picanha e uma boa prosa para continuar...Ou talvez uma bela feijoada? Ai que saudade!!!!!!

07 abril, 2010

Estamos seguindo os suecos…

As tardes estão muito bonitas, quando não está chovendo o sol tem brilhado no céu.



Faz em torno de 12 graus e não temos vontade de ficar em casa. O espaço começa a ficar pequeno, pois cansamos das mesmas coisas. Estamos assistindo muito filmes infantis e elas adoram repetir aqueles que já assistiram por mais de 5 vezes. O jeito mesmo é seguir os suecos ....kkkk.
Calma, não estamos atrás de loiras e loiros não. Só queremos imitá-los quando ficam lagarteando sentados em rodas nas praças de Lund jogando conversa fora, tomando sorvete italiano , comendo bobeiras ou apenas se deliciando no calor do sol. Até parece que não têm nada pra fazer. Isso eu não sei, mas que a vida por aqui é sossegada demais isso ela é. Hoje depois que saimos da escola da Bia fomos deitar no sol, ou será que o sol é que deitou em nós? Ele estava tão acolhedor que a Laurinha até dormiu e só acordou quando entramos no ônibus para ir embora.









Devo confessar que este programa de sueco é ótimo!Nós aderimos....

11 março, 2010

Vida normal...



Moramos em um pequeno condomínio onde vivem muitas famílias. Todas as manhãs exatamente as 10h as crianças saem com suas mães para brincar no gelo. Felizes brincam de escorregar, de baldinhos e nos plays grounds locais rolando no gelo. Os bebês também passeiam embrulhados nos carrinhos com mantas forradas e bem aquecidas. A temperatura de -1 grau não intimida os pequenos que possuem uma vida normal. A Bia acha estranho andarmos de ônibus para ir ao supermercado. Hoje fui sozinha com as duas e elas disseram que estavam com medo pois eu não falo sueco. Ainda é tudo mecânico, no ônibus coloco o cartão na máquina para pagar e no supermercado investigo pelas imagens todos os produtos tentando converter o valor das coroas suecas em euros pois consigo ter noção da "facada". As pessoas brincam com elas nas ruas dizendo "Hej" e eu apenas mostro um sorriso de contentamento.O rosto da Laura fica coradinho e rosado parecendo duas lindas maçãs.Em casa quando chegamos precisamos tirar os sapatos e deixá-los na entrada (achei que isto ocorresse só no Japão). Quando ligam a TV sentam para assistir os desenhos e nem reclamam , parecem estar entendendo tudo (Kkkkkkkk..)!!Hoje, 15 de março foi o primeiro dia da Bia na escola. Fiquei com medo de que ela voltasse pra casa asssustada, lá todos só falam o inglês que ela não domina (apesar de ser melhor que o sueco). Sei que ela precisa deste espaço para brincar, conviver e aprender com outras crianças mas por vezes tenho vontade de deixá-las aqui em casa comigo; acho que pelo medo do desconhecido. Fiquei feliz pois ela voltou tranquila, contou que a professora falou com ela em inglês após ela dizer que tinha borrado seu desenho. Perguntei a ela se ela entendeu e muito a vontade ela disse que "não" sem se preocupar. Acho que ela foi abençoada, sua professora é Argentina e fala o espanhol,tambem pode contar com a professora Cris que é brasileira (de Belo Horizonte) e fala o português. Contou que fez duas amigas e brincou no parque. Isto percebi rapidamente pois ela voltou com as calças, a luva, as botas e o casaco todo lambuzado da lama do gelo que está derretendo. Compramos a noite um par de botas para chuva pois assim ela irá brincar a vontade.......


GALOCHA,SEMPRE TIVE VONTADE DE TER UM PAR!!


Hoje, dia 16, terça feira a Laurinha pediu para brincar num parquinho que tem bem de frente de casa. Ela fica olhando pela janela da cozinha as crianças brincarem. Desci com ela mas ficamos bem pouquinho, isso pois o vento estava doendo o rosto. Agora o sol está aparecendo, a grama e o parquinho também, quase não há mais gelo mas o frio ainda é grande e não estamos acostumados como as outras crianças que ficam normalmente.Uma das crianças ficou conversando com a Laura e comigo (tudo em sueco). Foi em vão , não entendemos nada e parecia que não queríamos falar com ele.Logo tivemos que entrar ,a Bia ficou em casa pois está com o nariz muito entupido e escorrendo, precisa melhorar.......

Nossa adaptaçao

Chegamos em Lund. Tudo é novidade, estamos explorando a casa que é bem aconchegante e de tamanho suficiente para nós quatro. Hoje pela manhã a Laurinha nos deu um susto. Acordou com tremores e vomitou por duas vezes após pedir para tomar suco de laranja. A Cintia (da Universidade) veio em casa nos ajudar. Graças a Deus passou, achamos que foi um mal estar criado pela longa viagem de avião.A tarde fomos comprar comida, tudo é muito caro e precisamos escolher a dedo o que de fato vamos comer. Estamos bem!