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08 setembro, 2010

Pequenas Maravilhas....

Desde que chegamos na Suécia, assistimos muitos filmes e desenhos com as meninas durante as tardes ou a noite quando marido chega e elas pedem, para fazermos sessão- pipoca. Posso dizer que o repertório precisou ser grande.

Esta tarde foi o dia do desenho : "A familia do futuro" da Disney. Mas esta não foi a primeira sessão deste filme, e sim a quinta, sexta ou sétima vez, sei lá. A história conta a vida de Lewis, um jovem inventor que embarca em uma viagem do tempo para encontrar sua família que ele nunca conheceu. Durante a história, ele descobre que o destino do futuro está em suas mãos e não pode salvá-lo sozinho. O personagem, conta com a ajuda da família Robinson que lhe mostra que sempre precisa "seguir em frente", sem nunca desistir de si mesmo.

Hoje, pela ....vez, o filme deixou em mim, uma mensagem de otimismo, confiança e vontade de caminhar adiante. Me fez lembrar de momentos únicos vividos aqui, junto com minha família. Vale a pena, por isso compartilho com vocês.

Abaixo, a linda música "Pequenas Maravilhas" de Rob Thomas, da trilha sonora do filme.


Deixa ir tire o peso dos seus ombros pra seguir
sem se lamentar dos tombos
Deixa entrar essa luz que te define
no final ficarão somente as recordaçoes

A vida se faz com essas horas
Pequenas maravilhas na voz do coração
mundos se vão mas essas horas breves horas ficarão

No lugar das angustias põe a luz que vai brilhar
envolver a tua vida
Tudo bem se pra mim voce se volta eu ja sei
sentimento prevalece no final

A vida se faz com essas horas
Pequenas maravilhas na voz do coração
mundos se vão mas essas horas breves horas ficarão

Tudo que eu errei as aguas vão levar
Pois eu agora sei que estou no meu lugar

A vida se faz com essas horas
Pequenas maravilhas na voz do coração
mundos se vão mas essas horas pequenas maravilhas ficarão




Abraços,
Françoise

24 junho, 2010

Eu - e - minhas filhas na escola.

Desde que decidimos vir em família , eu tinha a plena certeza que embarcariam comigo muitas preocupações. Uma delas seria o ambiente social e "acadêmico" das meninas .

Ainda no Brasil buscando informações sobre pré escolas na Suécia, optamos pelo IPSL- International Pré School of Lund- por ser particularmente destinada a pais e filhos que vivem temporariamente no país. Seu currículo permite uma transição mais suave e menos traumática para a criança . A língua é o inglês e os alunos tem o contato diário com diferentes culturas pois a escola recebe crianças do mundo inteiro.

Grande mural na entrada da escola identifica os alunos de diferentes países.


Tenho frequentado as salas diariamante e percebo que todos são respeitados e compreendidos mesmo que falando sua língua nativa. Laurinha por exemplo é muito tranquila, tudo pra ela está bom. A professora comenta que ela brinca conversando em português com os colegas.

- Aisha, vem brincar comigo de baldinho?

Aisha e outras meninas que fez amizades saem para acompanhá-la e brincam como se estivessem falando o mesmo idioma. É incrível como as crianças nos dão uma lição. Aqui a língua ultrapassa fronteiras quando o assunto é "ser criança." Acredito que aos poucos irá aprender o básico para se comunicarem integralmente mas o importante é que agora a escola para ela não é motivo de sofrimento.

Já para Beatriz, a mais velha, ainda me preocupo pois é uma criança que aprecia ir a escola, lê e escreve convencionalmente desde os cinco anos porém é tímida e reservada. Sua adaptação já é mais duradoura e "sofrida". Consegue ainda que tão pequena carregar com ela o stress de não dominar a língua, da incompatibilidade de ensino e consequentemente o da insegurança. Estamos sempre buscando acalmá-la quando compara o ensino daqui com o da escola que estava, quando diz que não quer almoçar mas a professora não compreende o que ela fala ou quando simplesmente tem saudade de ler em voz alta para os colegas.

Bia desenhada por mim e eu por ela.
Dia em que participei da aula , março de 2010.

Confesso que eu também demorei para compreender algumas coisas. Ainda que não comente com elas, me incomodava ver as crianças frequentando o parque da escola por mais de 1h diária- e isso é regra- faça sol, garoa, temporal, neve, caia pedra ou o que o céu desejar para aquele dia... Não importa!

A educação por aqui prioriza o contato da criança com a natureza e há até pré escolas que são ao ar livre o tempo todo. O amor do País com a natureza é revelado através da sua preocupação com o meio ambiente. Há ainda clubes e instituições que organizam atividades ao ar livre como uma espécie de escola da natureza e se estamos falando de educação este assunto não pode faltar por aqui. Penso que o mais curioso ainda é o fato de estranhar o contato dos pequenos com o que temos de mais precioso e de graça neste mundo. Esta é uma lição que vou carregar comigo enquanto mãe e educadora.

Outro fato curioso (e bastante aplaudido por mim) é que os pais dividem as tarefas da escola com todas as outras famílias , educadores, coordenadores e diretora. Semanalmente recebemos um jornalzinho com a descrição de todo o trabalho pedagógico desenvolvido e a desenvolver nas diferentes turmas segundo o planejamento de cada professor. Os pais podem contribuir com os projetos motivando seus filhos a ir ao encontro do objeto de estudo descrito no documento. Há ainda dias em que somos convidados a participar da rotina dos filhos na sala de aula. Tudo é realizado com transparência e as crianças percebem o quanto aquele espaço é também importante e valorizado pelos pais. A escola não é apenas um lugar para "guardar" os pequenos enquanto as famílias estão ausentes.

Hora do lanche e Laurinha com a Bia conhecendo a escola.

A limpeza do prédio também é feita pelas famílias. Há uma escala no mural de entrada com divisão de tarefas e muito trabalho para deixar o espaço de aprendizagem dos filhos mais harmonioso e agradável. Os que ali frequentam buscam manter o local limpo preservando o que é do coletivo . Pra vocês verem que continuo aprendendo neste País... Com tudo!

Neste momento as meninas estão em férias. Em agosto um novo ano letivo se inicia. Laurinha continuará na mesma escola mudando apenas de turma. Bia que ainda estava em adaptação, agora com seis anos não mais poderá frequentar a pré escola. Foi matriculada no ISLK -Katedralskolan e terá que enfrentar mais de perto outros desafios. Soube que em seu currículo irá participar semanalmente de aulas de português ( ela gostou). Duas de suas amigas da antiga escola estarão com ela em mais esta jornada. E é claro eu e o pai o tempo todo. Torçam por nós!




23 março, 2010

Bom dia!


O inverno na Suécia tem sido um dos mais intensos na história do país. Desde os anos 80 não nevou tanto por aqui, é o que contam.
Saímos do Brasil a uma temperatura de quase 40 graus e após essa longa temporada de calor para nós, estamos sentindo os problemas típicos da baixa temperatura, como o resfriado. As meninas já estão bem, somente o nariz não para de escorrer, eu não consigo melhorar. Há dias sinto uma terrível dor de cabeça acrescida de dores no corpo, ouvido e garganta. Está tudo congestionado. A Bia acha que estou quase todo o tempo chorando. Uma vantagem do frio pra mim é que o inverno me fez um convite à reflexão. Se o verão nos convida a exteriorizar, o inverno fez o oposto. Eu sempre gostei do inverno. Vim ao mundo em 12 de julho, casei também. Beatriz e Laura nasceram no inverno. Há pensamentos de inverno, como há os de verão, outono e primavera e por aqui podemos entender isso claramente, pois as estações “brotam” aos nossos olhos como num passe de mágica e com ela os pensamentos que mudam a cada instante. O céu ainda pouco azul contrasta com o verde das gramas ainda que as árvores não pareçam tão vivas. É a Primavera chegando!

O quentinho do sol todas as tardes depois que chegamos da escola (vou buscar a Bia), nos convida a brincar nos parquinhos do condomínio. É uma festa. O dia passa voando. O vento gelado me deixa intimidada, mas nem assim desistimos. Algumas pessoas conversam conosco lá fora entendendo que somos bem vindos por aqui. São simpáticos apesar da distância. Ainda não temos baldinhos, mas guardamos as embalagens descartáveis que adquirimos nos supermercados virando forminhas de bolo para os parabéns de alguém.
Na escola a Bia parece estar em casa. Sabe como devemos entrar (com tênis pode, botas não- devem ficar nas prateleiras), sobre o funcionamento da escola apesar de 1 semana apenas. Lá todos falam a mesma língua, o inglês! São crianças de diferentes países morando na Suécia.



MY NAME IS BEATRIZ
I COME FROM BRASIL

O mapa na entrada da escola com a frase de “bem vindos” identificam todos os alunos que ali estudam relacionando o nome da criança ao seu país de origem (todos localizados com um alfinete no mapa mundi).Em apenas 5 dias ela já volta pra casa casa cantando pequenas músicas em inglês. Amanhã é o “Open day at school”. Todos os pais são convidados a participar das aulas juntamente com os filhos observando sua rotina na escola.

NA ESCOLA GUARDANDO SUAS ROUPAS EM SUA CAIXA PARA IR EMBORA.


CORRENDO PELA ESCOLA (...e eu fotografando tudo!)

Dia 28 de março mudamos novamente o horário dos relógios. Será aqui o primeiro dia do horário de verão. Para nós mais uma adaptação pois a Bia irá reclamar ainda mais para acordar. Por falar em verão estou ansiosa pois dizem que nesta estação o sol aparece aqui até as 11h da noite??!!!? Até lá vamos conversando. Eu pensando em voz alta e escrevendo. Escrever talvez seja a forma que consegui encontrar de não ficar sozinha com os meus pensamentos. Que seja.